Celular passa a ser o principal meio de acesso à Internet no Brasil

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Celular passa a ser o principal meio de acesso à Internet no Brasil

Depois de dois anos de estabilidade, a TIC Domicílios 2017, divulgada nesta terça-feira, 24/7, em apresentação para a imprensa, identificou que a banda larga fixa voltou a crescer tanto na área urbana quanto na rural. No entanto, na região Norte e nas classes sociais D e E, o acesso à internet ainda se dá, predominantemente, por meio da banda larga móvel.

A 13ª edição do estudo realizado pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), por meio do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), apontou que 61% dos domicílios, em um total de 42,1 milhões, têm acesso à internet.

A TIC Domicílios 2017 entrevistou 23.592 domicílios em todo território nacional. O uso do telefone celular para acesso à Internet segue em crescimento, em patamares cada vez mais elevados especialmente quando seu uso é de forma exclusiva. Por outro lado, o uso do computador para conectar-se à rede segue em declínio. Outro destaque é o televisor ganhando espaço para o acesso à Internet.

Para o gerente do Cetic.br, Alexandre Barbosa, os pequenos e médios provedores tiveram papel fundamental no crescimento da banda larga no País. “Eles vêm em um esforço de modernização da rede. Hoje, os pequenos só crescem com fibra ótica, provendo acesso de excelência qualidade e, muitas vezes, em locais que os grandes não têm interesse em atender”, afirmou.

Barbosa ressaltou que o aumento das conexões nos domicílios deve-se em parte aos ISPs que passaram a atender localidades que antes não tinham acesso à banda larga fixa. Além disto, há o efeito das políticas publicas. “Políticas, sobretudo, do MCTIC e regulação da Anatel têm favorecido o crescimento na zona rural. Então, foi um mix dos ISPs e das políticas públicas que levou ao crescimento. E também observamos um decréscimo dos preços onde tem mais competição”, acrescentou.

Um grande gargalo ainda se encontra nas classes menos favorecidas e na região rural, ainda que os índices mostrem evolução ano após ano. Enquanto, na classe A todos os domicílios contam com internet (99%), na D/E apenas 30% dos lares têm acesso. Na área urbana, o porcentual de 65% com acesso é quase que o dobro da área rural com 34%.

“O crescimento da internet na última década é muito expressivo, mas veio muito marcado pela desigualdade”, assinalou o coordenador da TIC Domicílios, Winston Oyadomari. O aumento da conectividade na área rural ocorreu após 2013. “Percebemos que o movimento de crescimento tem a ver com a relevância da conexão móvel, porque é a que chega aos domicílios”, explicou o coordenador.

Outro ponto a ser ressaltado nesta edição é que a internet chega aos domicílios, mas o computador não. Cada vez mais é comum o acesso pelo aparelho celular, o que, na visão dos idealizadores do estudo, traz uma série de implicações. “A tendência de redução de PCs é mundial, com os celulares com mais capacidade de processamento crescendo. Mas é claro que isto tem implicações nas atividades que podem ser desenvolvidas”, disse Barbosa. Ainda que é melhor contar com a internet nem que seja apenas pelo celular, o gerente lembrou que as habilidades tecnológicas e a capacidade de produzir conteúdo ficam reduzidas sem o acesso a computadores.

Tipo de conexão

Na TIC Domicílios 2017 ficou confirmada a tendência por estabilidade na relação entre fixo e móvel está estável e mostrou que a conexão de banda larga fixa voltou a crescer em 2017, depois de estabilidade em 2015 e 2016. Do total de domicílios com acesso à internet, 64% o fazem por meio de conexão de banda larga fixa e 25% por conexão móvel via modem ou chip 3G ou 4G. Enquanto em 2015 e 2016, eram pouco mais de 23 milhões de lares com banda larga fixa, em 2017, o número aumentou para 26,7%, sendo a móvel teve um leve crescimento de 9,3 milhões em 2016 para 10,5 milhões de domicílios em 2017.

O preço ainda representa o principal motivo para a falta de conexão. Isto não é novo, observando a série histórica, o motivo custo continua sendo a principal barreira, embora o valor tenha decrescido ao longo dos anos. Outra barreira tem a ver com as habilidades, ou seja, as pessoas alegando que não sabem usar. “O Brasil tem o desafio de desenvolver estas habilidades digitais para uso das TICs, sobretudo, na população mais idosa, porque entre os jovens esta barreira é inexistente. Política políticas para redução dos custos, eliminar esta barreira é outro”, apontou Barbosa.

Para ele, ainda que o celular seja muito útil e fácil, principalmente, para comunicação, é preciso ficar atento para criação de conteúdo, que neste particular o dispositivo móvel tem dificuldades. “Temos de estar atento, porque, quando este crescimento do celular está predominantemente em classes menos favorecidas, cria dificuldades de habilidades digitais”, acrescentou Barbosa.

Além dos domicílios, o estudo levantou a proporção de usuários de internet no Brasil. Houve um forte crescimento nos últimos dez anos no número de pessoas usuárias de internet, ressaltou o coordenador Oyadomari, saindo de 34%, em 2008, para 67%, em 2017. São 120,7 milhões de pessoas que usaram a internet pelo menos uma vez nos últimos três meses.

Seguindo a tendência da penetração da internet nos lares, a diferença de acesso permanece entre as classes sociais mais abastadas e as mais pobres e entre as áreas urbana e rural. No quesito dispositivo usado para conexão, o celular domina: 96% dos usuários acessam à internet pelo telefone, enquanto 51% o fazem pelo computador, 22% pela televisão e 9% por aparelho de videogame.

Barbosa chamou a atenção para o fato de a edição TIC Domicílio 2017 mostrar que o porcentual de pessoas acessando à internet apenas pelo telefone celular (49%) passou, pela primeira vez na série histórica, aqueles que usam tanto o celular quanto o PC (47%). Os que usam apenas o computador somam apenas 4%. Segundo os líderes do estudo, a tendência de crescimento do uso apenas por celular e cada vez menor pelo PC vem há quatro anos. O uso de internet por aparelhos de televisão ganhou destaque e ocorre no bojo de lançamentos das TVs inteligentes que já vêm com diversos aplicativos instalados.

 

(Fonte: Roberta Prescott – CDigital)

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